Índios ameaçam radicalizar movimento..

Correio da Bahia - 15/02/2008
Sem suas reivindicações atendidas, os índios que ocupam há três dias a sede da Fundação Nacional de Saúde (Funasa) optaram por não radicalizar o movimento, pelo menos até a tarde de hoje. Acampados no prédio do órgão, no bairro da Ajuda (onde também funciona o Núcleo Estadual do Ministério da Saúde), eles resolveram aguardar - sem impedir o acesso dos funcionários ao prédio - a chegada do coordenador da Funasa na Bahia, William Dell’Oso, prevista para às 16h. Dell’Oso estava em Brasília, onde tratou do assunto com o presidente da fundação, Danilo Fortes.

Foi por volta das 16h30 de ontem que a cacique pataxó hã-hã-hãe Ilsa Rodrigues recebeu o telefonema do chefe do Distrito Especial Indígena na Bahia (Dsei/BA), Jorge Araújo, garantindo que William Dell’Oso desembarcaria hoje à tarde em Salvador e que marcaria uma audiência com o grupo. Ontem, os indígenas tiveram frustrado o desejo de serem recebidos pelo governador Jaques Wagner. As negociações entre a fundação e os índios serão acompanhadas pelos procuradores do Ministério Público Federal em Ilhéus.

Membros das tribos Pataxó Hã-Hã-Hãe e Tupinambá, da região sul do estado, exigem melhorias no tratamento médico. "A verba existe, mas queremos saber o que acontece que este dinheiro não chega em medicamentos, exames e transporte para nossas tribos", questiona, em tom acusatório, o vice-cacique pataxó hã-hã-hãe, Reginaldo Vieira, 49 anos. Ele
afirma que a Funasa, órgão responsável pela saúde indígena no país, não presta o serviço adequadamente. "Os técnicos não cumprem sua carga horária, nós estamos sem acessos a médicos e isso aumenta o número de mortes".

Duas mortes - Vieira cita dois casos exemplares da situa-ção. O primeiro é o de Jessé Pereira dos Santos, 52, que, em novembro de 2007, morreu de causas desconhecidas. No documento entregue ao Ministério Público Federal, a liderança do movimento acusa os técnicos da Funasa de não diagnosticarem a causa mortis por "descaso". A outra morte foi a da parturiente Cione Francisca dos Santos, aos 33 anos. "Após o trabalho de parto na aldeia, a placenta ficou retida
e (Cione) perdendo muito sangue, fraca e abatida chegou a óbito por falta de transporte e um atendimento oportuno", diz o relatório.

A cacique pataxó hã-hã-hãe Ilsa Rodrigues denuncia que as gestantes não têm acompanhamento pré-natal e nem passam por exames de ultrassonografias. "Há pessoas que estão com doenças crônicas e não estão tomando os remédios adequados", diz. Os Tupinambás de Valença informam que a taxa de óbitos é de oito por mês. Uma pauta com 15 itens apontando as deficiências do serviço de saúde foi entregue à direção da Funasa na Bahia, mas as reuniões entre as duas partes não representaram avanços. Os indígenas continuam acampados de maneira improvisada no 5o, 6o e 7o andares do prédio e com pouca comida para distribuir entre os 83 membros que participam da ocupação. O grupo
promete impedir o funcionamento do prédio caso as reivindicações não sejam atendidas. "Tribos do nordeste do estado, dos Kiriris e Tuxás, devem vir para cá e aderir ao movimento", avisa Rodrigues.
PIB:Leste

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